Caminhando para uma economia de baixo carbono

A atenção ao processo de descarbonização do planeta, ao que parece, decorre da percepção coletiva do risco de um suicídio ecológico, exigindo uma atitude de preocupação de nossa sociedade em relação às gerações futuras. Será essa toda a verdade? Ou haveria outras forças mais decisivas, como a segurança energética e as oportunidades de negócios?

A preocupação com a segurança energética decorre da escassez de energia no mundo ser iminente, dado o atual nível de tecnologia e aspectos geopolíticos no Oriente Médio, Rússia e alguns países do norte da África. Limpar a matriz energética dos hidrocarbonetos para as economias desenvolvidas significaria livrarem-se das agruras do cartel dos exportadores de petróleo. Concomitantemente, o vislumbre de oportunidades de negócios está no centro da próxima onda de expansão capitalista, alicerçada em inovações voltadas à redução das incertezas causadas pelo uso de energias fósseis, e sua gradativa substituição por energias de baixa emissão de dióxido de carbono (CO2).

Ao que parece, o ritmo do processo de descarbonização das economias será determinado em parte pelas possibilidades de conciliação de interesses econômicos das grandes potências e dos países emergentes, resultando em várias combinações entre perspectivas de segurança energética e novos negócios baseados em tecnologias de baixo carbono.

E o Brasil como se posiciona nesse tabuleiro? Se não acelerarmos as pesquisas em energias renováveis, estaremos condenados à dependência das chamadas transferências de inovações. Estas vêm surgindo nas economias centrais, caracterizando uma corrida tecnológica por soluções energéticas que poderão acelerar o fim da era dos combustíveis fósseis.

As recentes descobertas do Pré-Sal colocam o Brasil em um novo cenário da indústria de gás e petróleo, gerando novas oportunidades de negócios que mobilizam toda a cadeia produtiva.

A atitude brasileira deve ser a de trabalhar duramente pela urgente e profunda introdução de novas tecnologias, para sobreviver ao final da era do petróleo. Entretanto, deve-se operar no aqui e agora, mas observar o amanhã.

Há contradições que não podem ser resolvidas, e isso significa que existem opostos que são ao mesmo tempo antagônicos e complementares. Estrategicamente, o país deve apostar nas novas oportunidades de negócios oriundas do Pré-Sal e, ao mesmo tempo, no estímulo à pesquisa, desoneração e financiamento aos negócios voltados para energias de baixo carbono.

 

Consultor Especialista em Sustentabilidade – Pós-Doutor (FEA/USP) e Doutor em Energia (IEE/USP)